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A controvérsia do lugar de fala.

Vivendo hoje o contragolpe do Lugar de Fala, que silenciou e descredibilizou aqueles que tanto lutaram por uma voz.

Por: Fernanda Lopes - Publicado em: 26/03/2021 19:20

A controvérsia do lugar de fala.

Fonte:

Este texto começa caótico assim como os tempos em que estamos vivendo, não só pela revirada que a pandemia trouxe para as nossas vidas, mas também pelo momento social e político em que nos encontramos.

Tudo "começou" em 2002 quando num feito inédito em um país politicamente conservador e estagnado, a tão famigerada esquerda subiu ao palco principal e fincou sua bandeira vermelha em um solo seco e já abatido, prometendo fertilizar esse solo e fazer brotar novas mudas de visão de um Brasil melhor. Você que está lendo pode concordar ou não se essa promessa foi cumprida e neste texto essa não é a questão, o que vou destacar e dar um zoom nesse fragmento da história é em um fenômeno que antes vivia no submundo das universidades públicas, grupos de intelectuais e periferias desse Brasil: Os movimentos sociais e militâncias.

As lutas e pautas sociais ganharam os holofotes que tanto buscavam, finalmente a oportunidade de ganhar o papel de protagonista e ser ouvido pelos ouvidos ainda virgens ou propositalmente surdos da sociedade brasileira. De início podemos imaginar esse grupo militante social como um aglomerado de pautas, como as questões de classe, racial, feminista, LGBT (me reservei o direito de utilizar a sigla mais simples para ilustrar o começo) e qualquer outro grupo lido como minoria e que precisava ter suas questões debatidas e resolvidas.

A militância funcionou, o cenário social do nosso país começou a se desenvolver, as ideias foram faladas, ouvidas e colocadas em prática, programas sociais governamentais foram criados, movimentos se formaram e assim uma estrutura foi se desenhando. Com o aumento da demanda essa estrutura foi se fragmentando e criando novas subdivisões, as pautas eram urgentes e não podiam esperar prioridades! E diante deste fato, em minha visão, a polenta da militância empelotou. O gigante que botou medo e desafiou o status quo começou a perder pedaços, massa e altura, permitindo que seus pedaços seguissem seus próprios caminhos e lutassem por suas próprias pautas, afinal, todas as pautas são urgentes, porém, o que não foi calculado e percebido como fator de risco é que essa fragmentação diminuiria o volume dos gritos de luta dos oprimidos. Criou-se uma expressão hoje muito conhecida como "Lugar de fala", tornou-se a frase mágica que faz com que qualquer minoria seja ouvida e respeitada diante de sua realidade e experiência, contudo, a popularização dessa expressão trouxe um contragolpe, todos querem ser ouvidos e num ambiente onde todos querem falar perde-se a capacidade de ouvir e o que antes eram debates, tornaram-se monólogos.

As ideias que antes eram ouvidas e discutidas, hoje já não podem mais sofrer questionamentos, afinal, não se questiona a vivência do outro... O sofrimento próprio tornou-se o único objetivo, silenciando o sofrimento do outro, estamos todos numa sala onde os participantes do "debate" discursam sobre suas dores utilizando fones de ouvidos com música alta, ninguém se ouve, ninguém se fala, ninguém se entende e do lado de fora dessa sala, temos a figura já conhecida do dono do sistema gozando e se deliciando com esse circo enclausurado que a esquerda e suas militâncias mesmo criaram.

 

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